As dificuldades do Projecto da Casa SB. Quando recebemos o desafio de projectar a casa SB, sabíamos que enfrentaríamos os obstáculos habituais de qualquer obra: condicionantes do terreno, expectativas do cliente, prazos apertados. Mas havia um factor que mudou completamente a nossa abordagem e que, à primeira vista, ninguém valorizaria.O reservatório de água.Para a maior parte das pessoas, é “só um tanque”. Uma estrutura banal, esquecida, sem importância no desenho global. Para nós, foi o elemento que condicionou todo o projecto desde o primeiro traço. O reservatório já se encontrava instalado no terreno quando chegámos, e a sua localização não coincidia com nenhuma das soluções que tínhamos imaginado.
Resultado: perdemos 12 m² de área útil do terreno, área essa que deveria servir à implantação da casa, aos acessos e à organização dos espaços exteriores.
Doze metros quadrados parecem poucos. Mas num terreno limitado, são a diferença entre uma implantação fluida e uma implantação comprometida. Foram 12 m² a menos para a área de construção, para o jardim, para as circulações. Foram restrições a redesenhar plantas, a repensar volumetrias, a negociar distâncias e orientações. Cada decisão de projecto passou a depender de um elemento que não estava no papel, mas que ocupava o lugar — literalmente.É por isso que, no nosso trabalho, nada é “só um tanque”. O que parece simples à superfície esconde condicionantes que só quem projecta conhece: a relação entre o que existe e o que sonhamos construir. Na casa SB, o reservatório ensinou-nos uma lição que levamos para todos os projectos seguintes — um bom projecto não nasce do terreno ideal, nasce da capacidade de transformar limitações em soluções. E foi exactamente isso que fizemos. O nosso conselho aos futuros proprietários: nunca coloquem nada no terreno sem o parecer do profissional responsável. Além de dificultar o projecto, uma estrutura mal posicionada ou mal executada pode acabar por exigir demolição.